Fonte: médico vacina mulher contra a gripe suína em 1976. PHILL CORBIS (GETTY IMAGES)
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Fonte: www.hlog.epsjv.fiocruz.br
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A Civilização do Vale do Rio Indo, localizada no Paquistão moderno, foi uma das três sociedades mais difundidas do mundo. Um dos primeiros saneamentos básicos conhecidos. Fonte: https://aulazen.com/historia/a-civilizacao-do-vale-do-rio-indo/
A Civilização do Vale do Rio Indo, localizada no Paquistão moderno, foi uma das três sociedades mais difundidas do mundo. Um dos primeiros saneamentos básicos conhecidos. Fonte: https://aulazen.com/historia/a-civilizacao-do-vale-do-rio-indo/

História da Saúde Coletiva

"Mas afinal, como surgiu a Saúde Coletiva no Brasil?"

Ora, meu caro curioso,

No Brasil, Ponte, Lima e Kropf (2010) relatam que o surgimento do sanitarismo, vem do início do século XX, com as campanhas intervencionistas de saúde, principalmente relacionadas à barriga d'água. O repensar da saúde brasileira de maneira ampliada vai ser a tarefa do final dos anos 1970, mas a instauração da Saúde Coletiva no Brasil pode ser classificada em diferentes etapas (CAMPOS et al, 2006):

De 1974 até 1979: a construção da medicina social, movimento histórico marcado por estudos sociais e epidemiológicos sobre os determinantes econômicos da doença e do sistema de saúde e associado à discussão de propostas alternativas ao sistema de saúde vigente, já plantando uma semente para o que viria a ser efetivamente a Saúde Coletiva.

1980 até 1986: disseminação de propostas de reforma do sistema de saúde público em eventos como a VII Conferência Nacional de Saúde (1979) e a VI Conferência Nacional de Saúde (1986), quando se inicia o processo de reforma da saúde pública.

1987 até 1990: instauração jurídico-legal e social dos princípios e diretrizes do projeto de reforma da saúde com a criação do SUDS (Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde), a Constituição Federal (1988), e a promulgação das Leis Orgânicas de Saúde (8.080e 8.142).

1991 até 1998: surgem definições específicas das atividades nas esferas governamentais, período em que se realizam a IX e X Conferência Nacional de Saúde (1992 e 1996) e, por último, a quinta fase 1999/2000, chamada de "complementação jurídico-legal", de caráter técnico-operacional, com a regulamentação legislativa e normativa do financiamento estável e do público-privado (Assistência Domiciliar), organização dos modelos de gestão e de atenção da rede regionalizada de serviços.

(SCHRAIBER e OSMO, 2015) As origens do Campo da Saúde Coletiva são situadas por Nunes (1994) na década de 1960. Vieira-da-Silva, Paim e Schraiber (2014) reforçam que durante a década de 1970 houve o surgimento do termo Saúde Coletiva no Brasil, criação da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), que se vincava ao Brasil.

A Saúde Coletiva consolidou-se, então, com esse nome e com suas especificidades no Brasil. Apesar de o nome não ter sido adotado em outros países, muitos autores veem a Saúde Coletiva como parte de um movimento mais amplo da América Latina, como aponta o próprio Nunes (1994).

Nunes (1994) apresenta a emergência desse campo composta por três momentos: o primeiro, denominado fase pré-Saúde Coletiva, durou os primeiros quinze anos a partir de 1955, e foi marcado pela instauração do projeto prevencionista; o segundo, que vai até o final dos anos 1970, é denominado fase da medicina social; o terceiro vai do final dos anos 1970 até pelo menos 1994, quando o autor escreveu o artigo Saúde coletiva: história de uma ideia e de um conceito. O autor considera este último segmento como sendo o período da Saúde Coletiva propriamente dita. Segundo (Nunes 1994, p. 2), "a emergência desses projetos reflete, de um modo geral, o contexto socioeconômico e político-ideológico mais amplo, como também as sucessivas crises, presentes tanto no plano epistemológico, como das práticas de saúde e da formação de recursos humanos".

Mas o início da formação de uma graduação em Saúde Coletiva surge com as reivindicações da Reforma Sanitária Brasileira aliados à resistência contra a ditadura militar, em 1988 (bem antes do SUS!), quando surgem esforços empreendidos para qualificar e valorizar os profissionais que atuam na área de saúde nos níveis de aperfeiçoamento, especialização e pós-graduação.

Segundo Teixeira (2002), a possibilidade de um curso isolado de Saúde Coletiva para graduação vem sendo discutida desde 1980, o que foi de vital importância para a formação do curso de graduação, até que, em 2002, a ideia foi consolidada:

[...] em setembro de 2002 foi organizada uma Oficina de Trabalho, reunindo dirigentes da UFBA, representantes de Universidades, Ministério da Saúde, OPAS (Organização Panamericana de Saúde) e ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), com o objetivo de analisar a pertinência e viabilidade de criação do curso na atual conjuntura, levando-se em conta o desenvolvimento teórico-conceitual da área de Saúde Coletiva e a experiência acumulada no processo de reforma do Sistema de Serviços de Saúde Brasileiro, especialmente as tendências de mudança do modelo de atenção à saúde e as demandas do mercado de trabalho no setor (UFBA/ISC, 2002). Os debates travados durante a Oficina conduziram à conclusão de que é oportuno avançar na elaboração do projeto político-pedagógico do curso, bem como ampliar a reflexão em torno da pertinência de sua implantação, não só na UFBA, mas em outras instituições de ensino superior no país (Teixeira, 2003, p. 163)

"E no mundo? De onde realmente veio a Saúde Coletiva?"

Bom, a Saúde Coletiva surgiu numa época (ou melhor, em diversas épocas) onde o termo Saúde Coletiva nem existia ainda, segundo o Portal de Saneamento Básico (2017):

Desde a antiguidade o homem aprendeu, em diversas culturas, que a água suja e o acúmulo de lixo transmitem doenças e que é preciso adotar medidas para dispor de água limpa e livrar-se dos detritos. Assim iniciou-se a ideia do saneamento básico (conjunto de medidas para preservar as condições do meio ambiente, prevenindo doenças e melhorando as condições da saúde pública).

Na Idade Antiga (até o século V d.C.), foram desenvolvidas algumas técnicas importantes, como irrigação, construção de diques e canalizações superficiais e subterrâneas. Medidas sanitárias foram tomadas, como o tratado de Hipócrates "Ares, Águas e Lugares", que informava aos médicos sobre a relação entre o ambiente e a saúde. Enquanto isso, na Grécia Antiga já havia o hábito de enterrar as fezes ou as afastarem para um local distante de suas residências. Em Roma ruas com encanamentos serviam de fontes públicas e, para evitar doenças, separavam as águas servidas do abastecimento de água para a população.

Os povos orientais iniciaram a criação de reservatórios de terra e utilização de captação subterrânea de água. Egípcios e Chineses já utilizavam métodos de perfuração para obter água do subsolo em 2500 a.C e quinhentos anos mais tarde a civilização egípcia utilizava sulfato de alumínio para a clarificação da água.

O Império Romano desenvolveu seu sistema de abastecimento de água, o aqueduto Aqua Apia, com cerca de 17km de extensão, em 312 a.C. Foi a primeira grande civilização a cuidar especificamente do saneamento, criando diversos outros grandes aquedutos, reservatórios, grandes termas, banheiros públicos, chafarizes e nomeando Sextus Julius Frontinus como Superintendente de Águas de Roma.


Referências: 

CAMPOS, Gastao Wagner De Souza; MINAYO, Maria Cecília de Souza; AKERMANT, Marco. Tratado da Saúde Coletiva. Organizadores Gastão Wagner. São Paulo: HUCITEC, Rio de Janeiro: Ed Fiocruz, 2006, pag 25-26.

LORENNA, Allan Gomes de; SANTOS, Liliana; ROCHA, Cristianne Famer; et al. "Graduação em saúde coletiva no Brasil: onde estão atuando os egressos dessa formação?", 2016. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/sausoc/v25n2/1984-0470-sausoc-25-02-00369.pdf>.

NUNES, E. D. Saúde coletiva: história de uma ideia e de um conceito. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 3, n. 2, p. 5-21, 1994.

OSMO, Alan e SCHRAIBER, Lilia Blima. "O campo da Saúde Coletiva no Brasil: definições e debates em sua constituição". 2013. Disponível em: ." target="_blank"> <https://www.scielo.br/pdf/sausoc/v24s1/0104-1290-sausoc-24-s1-00205.pdf>.

PAIM, J. S.; ALMEIDA FILHO, N. Saúde coletiva: uma "nova" saúde pública ou campo aberto a novos paradigmas? Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 32, n. 4, p. 299-316, 1998.

PONTE, Carlos Fidelis; LIMA, Nísia Trindade; KROPF, Simone Petraglia. "O sanitarismo (re)descobre o Brasil", 2010. Disponível em: <https://www.hlog.epsjv.fiocruz.br/upload/d/cap_3.pdf>.

PORTAL DE SANEAMENTO BÁSICO, 2017. "Quem inventou o saneamento básico?". Disponível em: <https://www.saneamentobasico.com.br/quem-inventou-o-saneamento-basico/>.

TEIXEIRA, C. F. Graduação em saúde coletiva: antecipando a formação do sanitarista. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 7, n. 13, p.163-166, ago. 2003.

VIEIRA-DA-SILVA, L. M.; PAIM, J. S.; SCHRAIBER, L. B. O que é saúde coletiva? In: PAIM, J. S.; ALMEIDA-FILHO, N. (Org.). Saúde coletiva: teoria e prática. Rio de Janeiro: MedBook, 2014. p. 3-12.

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